27/02/2010 | CCJ do Senado ouve entidades contrárias ao Ato Médico
A Comissão de Constituição Justiça do Senado ouviu ontem (24), em
audiência pública, as entidades representativas das profissões da área
da saúde que são contrárias à aprovação no Senado do projeto de lei
7703/06, que estabelece as funções privativas da medicina, conhecido
como "Ato Médico". Este projeto retornou ao Senado depois que foi
aprovado pela Câmara Federal com emendas ao projeto original e
provocou essas reações contrárias.
Para o Conselheiro Federal do Cofen, enfermeiro Antônio Coutinho de
Jesus, a aprovação do projeto é um retrocesso, porque acaba com todos
os avanços conquistados pelos demais profissionais da saúde. Ele
lembrou que a aprovação do projeto na Câmara Federal, com as
modificações introduzidas, cria óbices para as demais profissões da
saúde e também para algumas políticas públicas, em especial ao SUS. "É
sempre importante lembrar que estamos em defesa do SUS. Esse projeto,
da forma como está, inviabiliza o Sistema Único de Saúde e prejudica
diretamente o cidadão", lembrou Coutinho, que na oportunidade esteve
acompanhado da presidente do Coren-SE, Irene Ferreira.

Conselheiro Coutinho ressaltou prejuízos do P.L. ao SUS
O presidente do Conselho Regional de Biomedicina de São Paulo, Dr.
Marco Antônio Abraão, disse que o Ato Médico traz prejuízos
irreversíveis à saúde da população por criar uma reserva de mercado e
proibir as demais profissões da área de exercerem ofícios para os
quais são qualificados. "Serviço de saúde tem que ser
multiprofissional. Quantos morrerão no dia em que essa lei entrar em
vigor?", questionou. Para ele, o projeto, da forma como foi aprovado
na Câmara, cerceia a exercício profissional das demais profissões da
saúde. "Espero que o Senado Federal corrija esta distorção", ponderou.
Na mesma linha contrária ao Ato Médico posicionou-se o Conselho
Regional de Psicologia, Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia
Ocupacional, Conselho Federal de Farmácia, o Fórum das Entidades
Nacionais dos Trabalhadores da Área da Saúde e o Conselho Regional de
Optometria que também participaram da audiência pública.

Marco Antônio Abraão: Ato Médico cria reserva de mercado
O relator da matéria da CCJ, senador Antônio Carlos Valadares
(PSB-SE), após ouvir os representantes das entidades que compareceram à
audiência pública, disse estar surpreso com os problemas que o projeto
aprovado pela Câmara Federal provoca nas demais profissões. Segundo o
senador, é preciso construir um consenso entre as áreas profissionais
para que o projeto seja votado no plenário do Senado. Para isso,
propôs uma outra reunião visando obter esse acordo. "Uma decisão terá
que ser tomada e deverá ser aceita por todos, já que será fruto de um
consenso", avisou.
Valadares explicou que vislumbra inicialmente três saídas para
que haja um consenso sobre o assunto: a primeira, defendida pelo
Conselho Federal de Enfermagem, é a substituição do texto da Câmara
pelo texto originalmente aprovado no Senado, em 2006. A segunda,
analisar o texto que veio da Câmara e destacar o que há de consenso
entre as profissões da área. E a terceira alternativa é rejeição total
do texto. Ele prometeu, no entanto, exaurir o debate para alcançar um
acordo que contemple os interesses de todas as profissões.
Além do senador sergipano, participaram dos debates o senador
Sadi Cassol (PT-TO) e o deputado federal Lobbe Neto (PSDB-SP).

Ao lado de Sadi Cassol e Lobbe Neto, senador Valadares ouviu
posicionamentos
Matéria publicada originalmente no site do Cofen
Créditos/fotos: Dayanne Holanda